Evento com Leite e Kassab consolida migração em massa do PSDB para o PSD no RS

A expectativa do grupo político do governador Eduardo Leite se confirmou. Na manhã deste sábado, em evento com a presença do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, o PSD concluiu a filiação de 30 prefeitos de cidades do Rio Grande do Sul – a maioria do PSDB. Este é o primeiro para a formação de uma força que surge no Estado, com lideranças conhecidas, mas com outra roupagem.
Alçado à presidência da República por seus aliados gaúchos, Leite atingiu seu principal objetivo com o ato: demonstrar força política e capacidade de mobilização. Além dos prefeitos e vices filiados, lideranças do PSDB, MDB, União Brasil e Podemos compareceram ao evento. Alguns, admitindo estar de malas prontas para migrar para o PSD, aguardando apenas a janela partidária.
A maioria dos discursos feitos por lideranças no evento apresentava ao menos duas convergências: uma rejeição à polarização política e uma aclamação ao nome de Leite para ser candidato à presidente nas eleições 2026. Diversos destes apelos foram feitos diretamente a Kassab, que, no final das contas, será o responsável pela tomada de decisão. Além de Leite, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, também é pré-candidato pelo partido.
“O Brasil está preparado e merece ter uma pessoa como o Eduardo Leite presidente. Isso eu falo de maneira muito respeitosa com o Ratinho, porque o Brasil também merece ter uma pessoa como o Ratinho presidente. A sorte do PSD e do Brasil é que os dois serão presidentes da República porque os dois são muito jovens e estão preparados para dirigir do Brasil”, discursou Kassab.
Como tem sido a praxe de seus posicionamentos públicos, evitou indicar preferências, deixando a tomada de decisões para o ano que vem. Após o evento, saiu por uma porta lateral, sem conceder entrevistas.
“Era a hora do Eduardo Leite. O PSD do Rio Grande do Sul precisava ter à frente uma pessoa como o Eduardo”, exaltou ainda em seu discurso. Kassab buscava ter o governador gaúcho em seu partido desde antes das eleições de 2022, com diversos convites diretos e públicos feitos ao então tucano.
Agora, ambos querem fazer do PSD o maior partido gaúcho. “Nós estamos tornando o PSD um dos maiores partidos do Rio Grande. E temos, sim, a ambição de torná-lo o maior partido do Rio Grande do Sul”, discursou Eduardo Leite.
PSD busca ter candidatura própria à presidência, diz Leite
“O propósito do PSD, e o presidente Kassab tem deixado muito claro, é o de buscar ter candidatura própria (à presidência). E estamos, eu e o governador Ratinho, como nomes à disposição para isso. A definição vai acontecer mais à frente, em momento apropriado. O importante é que há um partido formado, bem estruturado em todo o país e com muita disposição de protagonizar um processo político com uma candidatura nacional”, afirmou o governador Eduardo Leite.
Ele havia sido questionado pela reportagem do Correio do Povo à respeito da possibilidade de o PSD fechar uma composição com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, de quem o presidente do partido, Gilberto Kassab, é secretário. Kassab fez recentes declarações públicas no sentido de estar aguardando uma decisão de Tarcisio sobre ser candidato à presidência.
“Não cabe fazer conjectura sobre formação de chapa. O que o presidente Kassab tem dito é que a movimentação do Tarcísio para se tornar candidato, se ocorrer, se dará em uma condição especialíssima que reúna um grupo de forças políticas que encaminhem uma eleição muito clara e naturalmente puxando para o centro um projeto ao país”, declarou o gaúcho.
Apoio do PSD à candidatura de Gabriel Souza é “tendência natural”
O PSD-RS ainda não definiu oficialmente sua posição para as eleições ao governo do Rio Grande do Sul no ano que vem. Um apoio à pré-candidatura do vice-governador Gabriel Souza (MDB) é, entretanto, uma “tendência natural”, segundo Leite.
“É a tendência natural. O Gabriel é naturalmente o candidato para representar a continuidade do nosso governo. Está por dentro dos assuntos, é de um grande partido aliado que é o MDB, que legitimamente aspira protagonizar o próximo processo eleitoral. Então, é um caminho natural.”
Uma formalização dependerá das negociações que se sucederem nos próximos meses. “Isso vai acontecer também com diálogo, com construção, ao longo dos próximos meses. Estou muito seguro que, com tudo que vamos poder mostrar para o povo gaúcho, o que foi feito, a virada de jogo, o Estado em dia, a capacidade de retomada e reconstrução do nosso Rio Grande a gente vai conseguir mostrar ao povo gaúcho no ano que vem que o melhor caminho é seguir em frente. O Gabriel tem toda a legitimidade de representar isso”, disse o governador do RS.
Gabriel Souza esteve presente no ato do PSD, juntamente ao presidente estaudal do MDB, o deputado estadual Vilmar Zanchin, e o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça.
Debandada tucana
O PSDB elegeu 35 prefeitos no Rio Grande do Sul em 2024, sendo o quinto maior partido do Estado em municípios – um respiro aos tucanos, diante de um péssimo desempenho a nível nacional. Agora, apenas neste sábado, perdeu 28 cidades para aquele que era, até então, seu principal ativo no Estado: Eduardo Leite.
E essa sangria não será estancada agora. O ato partidário do PSD indicou que mais tucanos devem rumar à legenda de Leite e Kassab. A maior debandada deve ser na bancada da Assembleia Legislativa, onde o PSDB conta com cinco cadeiras.
Os deputados estaduais tucanos Pedro Pereira, Valdir Bonatto, Nadine Anflor e Neri, o Carteiro, compareceram ao evento, além do deputado federal Lucas Redecker.
Redecker discursou praticamente como um filiado do partido. “Eu sou vocês amanhã, pois em março apenas poderei me filiar ao PSD”, afirmou. Ele e os demais parlamentares aguardam a janela partidária do ano que vem, quando poderão trocar de partido sem a perda do mandato. Redecker conta com seu chefe de gabinete como membro da executiva estadual do PSD.
Cotada para assumir a recriada Secretaria da Mulher, Nadine já está de ‘malas prontas’: “Também já me sinto em casa, presidente Kassab. Faltam apenas seis meses para dizer que sou 55”, disse.
Pedro Pereira, por sua vez, chegou a vestir a camisa comemorativa do PSD para o evento e Bonatto afirmou que Leite será presidente – “se não for em 2026, vai ser em 2030”.
Os prefeitos eleitos há menos de um ano e que migraram, em sua maioria, agradeceram o PSDB e prestaram respeito ao antigo partido.
Adiló Didomenico, de Caxias do Sul, disse que “o PSDB não soube se modernizar”. Já o prefeito de Caraá, Bolívar Gomes, rebateu críticas sobre assédio aos quadros tucanos. “Ninguém botou a faca no meu pescoço para estar aqui, eu estou aqui por convicção”, declarou.
Também tomaram a fala dois deputados estaduais do União Brasil: Aloísio Classmann e Thiago Duarte. Ambos discursaram em favor da candidatura de Leite à presidência.
Equilíbrio será slogan
“Equilibra o Brasil” – essa era a mensagem gravada nas camisetas comemorativas feitas para o evento utilizada como slogan da festa de filiações partidárias. Este é o discurso que Leite e Kassab buscam implementar juntos, de diálogo com o centro e de rejeição à polarização.
“O equilíbrio é o que a gente está pedindo para o Brasil. Equilibrar o Brasil entre os polos. E esse equilíbrio é necessário em tantas frentes: o equilíbrio das contas públicas; o equilíbrio do desenvolvimento com a proteção ambiental; o equilíbrio das relações entre as diferentes regiões, as diferenças que temos. Esse equilíbrio que a política tem que ser artífice, a que conduz numa democracia, para que toda nossa energia seja canalizada para construir um futuro”, discursou Leite, para uma plateia lotada.
Fonte: CP