INSS liberou R$ 12 bilhões em empréstimos consignados no nome de crianças
O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, informou que existem cerca de 763 mil empréstimos consignados ativos que foram realizados em nome de menores de idade, número que chama a atenção pela dimensão e pelas implicações administrativas e sociais. De acordo com ele, o valor médio das operações é de R$ 16 mil, o que reforça a preocupação do órgão com a extensão financeira do problema e com os possíveis prejuízos acumulados ao longo dos últimos anos.
Segundo o portal de notícias UOL, aproximadamente R$ 12 bilhões foram liberados em contratos considerados “ativos”, os quais continuam sendo pagos mediante descontos automáticos em benefícios destinados a crianças e adolescentes. Esses beneficiários, por serem menores de idade, não têm capacidade legal nem meios práticos de reclamar ou de contestar a contratação desses empréstimos. Embora o INSS tenha revogado, em agosto, a norma que permitia esse tipo de operação, os contratos já haviam sido firmados e seguem causando impacto na folha de pagamentos do Instituto.
Waller Júnior assumiu o comando do INSS após a demissão de Alessandro Stefanutto, que foi preso durante a investigação sobre descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Ao assumir, Waller passou a adotar medidas adicionais para tentar reorganizar processos internos e dar maior segurança às operações envolvendo consignados, consideradas sensíveis pela administração pública.
O presidente afirmou que o órgão está revisando acordos com instituições financeiras e que houve uma redução no número de bancos parceiros, passando de 74 para 59. Essa diminuição, segundo ele, ocorreu devido à identificação de irregularidades e ao entendimento de que somente instituições que cumpram padrões mínimos de conformidade e segurança devem permanecer habilitadas. Desde maio, acrescentou, a contratação de empréstimos consignados só é permitida mediante biometria do próprio beneficiário, medida instituída com o objetivo de reduzir fraudes e garantir que operações sejam efetivamente autorizadas pelos titulares dos benefícios.
Fonte: O Sul
