Saiba o que pesa agora contra o dono do Banco Master

O que pesa agora contra o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro:

Invasão de sistemas

A Polícia Federal (PF) diz ter encontrado indícios de que o banqueiro ordenou a invasão de sistemas de informática do próprio órgão, do Ministério Público Federal (MPF) e até mesmo de organismos internacionais – “tais como FBI e Interpol” – para obter cópia de documentos sigilosos de investigações contra ele.

Teria sido usada uma técnica hacker conhecida como “spear phishing”, que consiste em enviar e-mails ou outras formas de comunicações com aparência de veracidade, solicitando a inserção de dados de acesso e senha do sistema interno da instituição.

Em sua decisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça escreveu que “tais acessos teriam ocorrido mediante utilização de credenciais funcionais pertencentes a terceiros, permitindo a obtenção de informações protegidas por sigilo institucional”.

“Monitoramento” e ameaças

Vorcaro também é acusado de montar um sistema de “monitoramento” de pessoas que faziam oposição a ele, além de arregimentar influenciadores para defender os interesses do Master na internet. Entre os integrantes desse grupo, estaria “Sicário” (que significa assassino de aluguel), apelido dado a Luiz Philippi Mourão. A alcunha era um “indicativo da natureza de suas atividades”, como escreveu Mendonça.

Mourão receberia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro. Em diálogos encontrados no celular do banqueiro, há mensagens com ameaças a funcionários e ex-funcionários de Vorcaro e ao colunista do jornal O Globo Lauro Jardim.

“Mesada” a diretores 

A decisão de André Mendonça envolveu também o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária da autarquia Belline Santana, que foram alvo de operação de busca e apreensão. Eles já estavam afastados do cargo por decisão anterior do próprio BC.

Segundo a PF, eles receberiam uma “mesada” de Vorcaro para ajudar o Master a driblar a fiscalização. Empresas fictícias foram criadas para a simulação de prestação de serviços por parte dos servidores. Pelas investigações, Vorcaro até teria ajudado Neves em uma viagem para a Disney, em Orlando, nos EUA.

Ocultação de dinheiro

Ao apresentar os argumentos para a prisão do banqueiro, a PF mencionou também que ele conseguiu esconder R$ 2,2 bilhões em uma conta em nome de seu pai aberta na corretora Reag, também alvo da investigação por suspeita de ter sido usada em operações de lavagem de dinheiro.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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