Inadimplência recua pelo segundo mês seguido, mas permanece entre as maiores da série histórica no Rio Grande do Sul
A inadimplência das pessoas físicas voltou a recuar em junho no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre, segundo levantamento da Assessoria Econômica da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Porto Alegre, elaborado com base em dados da Equifax/Boa Vista.
No Estado, o percentual de adultos com restrições em crédito, cheque ou protesto recuou de 37,21%, em maio, para 37,06%, no mês passado. Na Capital, o índice caiu de 37,83% para 37,54%. No âmbito estadual, o recuo atingiu 0,15 ponto percentual, enquanto a diminuição em Porto Alegre alcançou 0,29 ponto percentual. É o segundo mês consecutivo de redução em ambos os recortes, movimento que não era observado desde 2024.
Apesar da melhora, os indicadores permanecem em patamares historicamente elevados. Tanto no Rio Grande do Sul quanto em Porto Alegre, as taxas representam os terceiros maiores níveis da série iniciada em 2022, evidenciando que o endividamento das famílias continua sendo um dos principais desafios para a economia.
O levantamento aponta que a recente redução está associada, principalmente, aos efeitos dos programas de renegociação de dívidas do governo federal, como o Novo Desenrola Brasil. No entanto, a CDL POA avalia que os resultados têm caráter conjuntural e ainda não representam uma mudança estrutural no cenário da inadimplência.
O economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank, destaca que a melhora observada nos últimos meses é positiva, mas deve ser interpretada com cautela. “A renegociação de dívidas produz um alívio importante para muitas famílias, mas não resolve as causas estruturais da inadimplência. O orçamento das pessoas continua pressionado pela inflação, pelo elevado custo do crédito e pela perda do poder de compra. Além disso, fatores como a falta de educação financeira e o crescimento das apostas esportivas contribuem para deteriorar a capacidade de pagamento da população”, afirmou.
Fonte: O Sul
