Janja diz que críticas sobre gastos no exterior são “misoginia” e afirma ser a única primeira-dama do Brasil que “trabalha efetivamente”

A primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que as críticas que a classificam como “gastadeira” são resultado de “misoginia”. Esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Janja se referiu às viagens internacionais realizadas ao longo do governo e explicou por que, em alguns casos, embarca antes do presidente em compromissos no exterior.

Ao comentar os gastos com as viagens, Janja afirmou que procura se hospedar nas embaixadas brasileiras e que viaja na classe executiva por motivos de segurança.

“Procuro me hospedar em embaixada, por questão de segurança e logística mais tranquila. Viajo de executiva por questão de segurança e não viajo de econômica por alguns regramentos que tenho que seguir. Eu respondo com o trabalho que faço, sei o que estou fazendo e como estou fazendo. Essa questão da gastadeira é exemplo da misoginia pura que surfa nas redes sociais”, disse, em entrevista à Folha de S.Paulo e ao UOL.

Janja mantém um gabinete no Palácio do Planalto e passou a ter sua agenda divulgada diariamente após críticas relacionadas à falta de transparência. Ao comentar sua atuação, afirmou que é a primeira vez que o Brasil tem uma primeira-dama que trabalha “efetivamente” e disse que a sociedade e a imprensa “não estavam acostumadas” com essa realidade.

“Fizemos uma normativa há dois anos, que regulamentou algumas questões internas para dar mais transparência. A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente. Vou todos os dias para o Planalto, faço reuniões, cumpro agenda e viajo a trabalho. A sociedade e a imprensa não estavam acostumadas com isso”, afirmou.

A primeira-dama também comparou sua trajetória à da antropóloga Ruth Cardoso, que ocupou o posto durante os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2002. Segundo Janja, parte das críticas que recebe decorre de “preconceito de classe”, por não ter origem em uma família rica.

“Não se esqueça de que dona Ruth era doutora de uma importante universidade brasileira, e isso conta muito. Tenho certeza absoluta de que muito do preconceito contra mim é preconceito de classe. Não venho de uma família rica, venho de uma família pobre, fiz universidade pública, estudei enquanto trabalhava, fui trabalhar fora, ralei para caramba. Não tenho mestrado nem doutorado porque essa não foi a minha opção de vida. Não queria seguir carreira acadêmica, não queria ser intelectual, sempre gostei muito de trabalhar com a comunidade”, declarou.

Janja também falou sobre sua relação com o presidente Lula. Ela elogiou as “coxas” do presidente, exibidas em vídeos publicados nas redes sociais durante exercícios físicos, e contou que pediu ao marido que os beijos entre os dois durem “no mínimo seis segundos”.

“Não tem como não amar. Você viu o último vídeo das coxas do meu marido?”, afirmou.

Ela acrescentou: “Eu disse para ele: ‘Essa história de dar só selinho de meio segundo não vale. Um beijo de tchau e bom dia tem que durar no mínimo seis segundos’. Aprendam: tem que durar seis segundos.”

Fonte: O SUL

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