Ao vivo: acompanhe os estragos da chuva no RS
Moradores de Lajeado em abrigo
Continua chovendo na manhã desta quarta-feira em Lajeado, no Vale do Taquari, e os moradores das partes mais baixas do município estão sendo realocados para o abrigo de referência no Parque do Imigrante, desde a madrugada. Até às 10 horas, de acordo com o coordenador da Defesa Civil Municipal, Luís Marcelo Gonçalves Maia, 87 pessoas já haviam sido transferidas.
A estratégia começou pelo resgate nas cotas 19 e 20, sendo ampliada gradativamente até a cota de 23 metros. Nesta manhã, o Rio Taquari já havia atingido 22 metros, subindo 55 centímetros por hora, porém reduzindo a velocidade de subida. “Acredito que esta inundação vai ser similar às de antes das enchentes de 2024”, disse Maya. A cota de inundação é 19 metros.
De acordo com Maya, houve um “descompasso inicial” devido à falta de informações prévias precisas, até surpreendendo algumas famílias, que tiveram as casas atingidas pela água antes dos caminhões de resgate. Os resgates começaram por volta das 3 horas. Ele garantiu que não há chance de esta inundação ser igual à de 2024, mas agora a água deve atingir somente as áreas alagáveis, onde não há mais famílias morando, e não deve chegar a locais com correnteza intensa, ou áreas de arrasto, que já haviam sido destruídas antes.
Plano de contingência acionado em Taquari
A prefeitura de Taquari acionou, às 2h da madrugada desta quarta-feira, o Plano de Contingência em razão da elevação do nível do Rio Taquari. Desde então, equipes da Defesa Civil e das secretarias municipais permanecem mobilizadas para monitorar a situação e executar as ações preventivas previstas no protocolo.
O nível do rio apresentou elevação contínua ao longo da manhã. Às 6h15, a régua marcava 5,32 metros; às 7h15, o nível chegou a 5,62 metros; e, às 8h45, atingiu 6,05 metros, reforçando a necessidade da adoção das medidas preventivas previstas no Plano de Contingência. A cota de inundação é de 8,50m.
Às 8h, foi realizada uma reunião de alinhamento entre as equipes envolvidas, quando foram definidas as primeiras ações para garantir a segurança da população.
Entre as medidas adotadas está a suspensão das aulas no turno da tarde da Escola Municipal Timóteo Junqueira dos Santos, localizada no Rincão São José, devido ao risco de interrupção dos acessos à comunidade em caso de continuidade da elevação do rio.
Também foi iniciada a retirada preventiva de 18 famílias residentes em áreas de risco nos bairros Praia, Tinguete, Olaria e Rincão São José. As famílias e seus animais estão sendo encaminhados para casas de familiares e acolhidos no abrigo organizado pela Administração Municipal na Escola Municipal Osvaldo Ferreira Brandão, conforme previsto no Plano de Contingência Municipal.
“Estamos monitorando a situação de forma permanente e adotando todas as medidas necessárias para proteger a população. Nosso trabalho é agir com antecedência, garantindo segurança às famílias e preservando vidas”, destaca o prefeito André Brito.
O Boletim Extraordinário do Sistema de Alerta Hidrológico da bacia do Rio Taquari foi divulgado nesta quarta e apontou que nas cidades de Estrela e Lajeado o curso d’água atingirá 24 metros nas próximas seis horas.
Já em Muçum, outra cidade banhada pelo rio, a cota atingirá 18 metros nas próximas quatro horas. Em Encantado, o nível atingirá mais de 15 metros.
O mais recente boletim da Defesa Civil, divulgado na manhã desta quarta-feira, mostrou que 143 municípios reportaram danos relacionados às chuvas dos últimos dias. O número quase dobrou em relação ao comunicado feito nessa terça, quando o Estado tinha 73 cidades com estragos.
Conforme dos dados da Defesa Civil, não há fatalidades, mas há uma pessoa ferida em decorrência das chuvas. São 51 pessoas desabrigadas e outras 155 desalojadas.
Oitenta e quatro cidades registraram chuvas intensas e outras 58 tiveram vendaval. Sete comunicaram chuva de granizo e oito enfrentam cenário de inundação.
A Defesa Civil de Porto Alegre segue monitorando a elevação do Guaíba, que nesta manhã, segundo a régua da MetSul, estava em 1 metro e 38 centímetros, sendo que a cota de transbordamento é de 3 metros. O alerta é com a chegada das águas de rios que estão em elevação, como Taquari e Caí.
Segundo a Defesa Civil, a região que mais preocupa na Capital é a ilha, onde não há sistema de proteção e onde o Guaíba avança mais rapidamente.
Terminou nesta manhã o alerta laranja para chuva em Porto Alegre. Mesmo assim, as equipes seguem acompanhando a situação, especialmente pela possibilidade de algum caso de desmoronamento, como ocorreu na noite de ontem.
O Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual (CMDEC) monitora, desde a semana passada, um sistema meteorológico que tem provocado temporais, raios, rajadas de vento e queda de granizo em diversas regiões do Rio Grande do Sul, com maior intensidade nas regiões Central, Fronteira Oeste e Noroeste.
Como consequência das chuvas, foram registrados alagamentos pontuais e elevação do nível de arroios e pequenos rios, especialmente nas áreas que receberam os maiores volumes de precipitação.
Nas últimas 24 horas, o temporal se deslocou para outras regiões do estado. As áreas próximas a Marau e Nova Prata, onde nascem os rios Guaporé, Carreiro e da Prata, registraram os maiores volumes: 174 milímetros em Paraí, 157 milímetros em Marau e 154 milímetros em Passo Fundo, todos em menos de 12 horas. O volume levou o CMDEC a enviar alertas de cell broadcast a 37 municípios na tarde de terça-feira, 21.
Fonte: CP
