Brasil poderá enfrentar déficit de motoristas profissionais nos próximos cinco anos caso não aumente o número de pessoas habilitadas; alerta é do ministro dos Transportes
O Brasil poderá enfrentar um déficit de motoristas profissionais nos próximos cinco anos caso não consiga ampliar o número de pessoas habilitadas para atuar no transporte de cargas e passageiros. O alerta foi feito pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, que defendeu mudanças para facilitar o acesso à profissão e evitar impactos sobre a logística nacional e a economia.
Segundo o ministro, o envelhecimento da categoria, a baixa entrada de novos profissionais e o aumento da demanda pelo transporte rodoviário formam um cenário preocupante. A avaliação do governo é de que, se nenhuma medida for adotada, o país poderá enfrentar dificuldades para suprir a necessidade de caminhoneiros e motoristas de ônibus, o que tende a elevar custos de frete, afetar cadeias produtivas e comprometer o transporte de passageiros.
“As projeções indicam que o Brasil pode viver um déficit de motoristas profissionais nos próximos cinco anos. Precisamos agir agora para ampliar o número de pessoas habilitadas e garantir a renovação da categoria”, afirmou Renan Filho durante evento promovido pelo Ministério dos Transportes.
Atualmente, o transporte rodoviário responde pela maior parte da movimentação de cargas no país. Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontam que cerca de 65% das mercadorias circulam pelas rodovias brasileiras, tornando a atividade essencial para o abastecimento da indústria, do comércio e do agronegócio. Qualquer redução significativa na oferta de motoristas tende a impactar diretamente a economia.
O problema, segundo representantes do setor, não é novo. Empresas de transporte relatam há anos dificuldades para preencher vagas de motoristas, especialmente nas operações de longa distância. Entre os principais fatores apontados estão o envelhecimento dos profissionais, os altos custos para obtenção das categorias C, D e E da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além das exigências para cursos especializados e exames médicos.
Levantamentos da CNT e de entidades representativas das transportadoras mostram que a idade média dos caminhoneiros brasileiros vem aumentando de forma constante, enquanto o ingresso de jovens na profissão diminui. Além do custo da habilitação, a rotina de longas jornadas, o tempo longe da família, os riscos nas estradas e a percepção de baixa atratividade da carreira contribuem para reduzir o interesse pela atividade.
Diante desse cenário, o Ministério dos Transportes estuda medidas para estimular a formação de novos profissionais. Entre as alternativas em discussão estão linhas de financiamento para obtenção da CNH nas categorias profissionais, programas de qualificação, parcerias com o Sistema S e incentivos voltados à capacitação de jovens interessados em ingressar no setor.
Renan Filho também defendeu a ampliação de políticas públicas voltadas à valorização da profissão. Segundo ele, o transporte rodoviário continuará desempenhando papel estratégico na economia brasileira nas próximas décadas, mesmo com investimentos em ferrovias e hidrovias. Por isso, garantir mão de obra qualificada é considerado essencial para manter a competitividade do país.
O ministro destacou ainda que o desafio não se limita ao transporte de cargas. Empresas de ônibus urbanos, metropolitanos e interestaduais também enfrentam dificuldades para contratar motoristas habilitados, situação que vem sendo relatada por operadores do setor em diferentes estados. A escassez de profissionais, segundo especialistas, pode afetar a qualidade dos serviços e aumentar os custos das operações.
Fonte: O SUL
